terça-feira, 20 de julho de 2010

Critérios para a compra de um bandoneón

Para a compra de um bandoneón há critérios gerais que devem ser observados:

1 - Sistema (layout) das notas;

Há vários sistemas de notação. O mais popular no Brasil é o Reinische Tonlage, 142/152 tons.

2 - Número de botões;

bandoneóns (Reinische) com menos de 71 botões são considerados pequenos, ou seja, não têm o recurso que um bandoneón de tamanho regular tem. Estes são vulgarmente chamados de "3/4" ou "meio" bandoneóns.
A forma correta de denominação destes instrumentos é dada pela multiplicação do número de botões por dois, e.g.: 52 botões = 104 tons; 65 botões = 130 tons, etc.
Do contrário não é possivel distinguir entre um 104, um 106 e um 110 tons pois qualquer destes seria considerado "meio" bandoneón. Assim como seria impossível a diferença entre um 122, um 128 e um 130 tons; seriam todos "3/4".

3 - Pressão do fole;

É necessário verificar a pressão do fole. Certificar-se de que o mesmo não apresenta furos ou vazamentos. Também que os couros nos cantos não estejam demasiadamente ressecados, o que levará ao aparecimento de vazamentos a curto/médio prazo. Também as cantoneiras devem estar em bom estado e não amassadas, trincadas, frouxas ou quebradas.

4 - Estado geral da madeira

É muito importante que o instrumento não tenha e não tenha sido atacado antes por cupins. A madeira não deve apresentar rachaduras ou emendas.
É comum no entanto encontrar a mesa rachada nas laterais por manuseio incompetente. - problema sanável mas indesejado.

5 - Estado geral das palhetas;

Esta é a parte que produz o som, assim sendo, é o mais importante no instrumento. É preciso verificar se as chapas estão inteiras, sem remendos de qualquer sorte. Bandoneóns tem chapas inteiras e várias palhetas rebitadas na mesma chapa e não uma chapa para cada palhetas como um acordeon.´
Não menos importante que o estado das chapas é o estado das palhetas. Verificar se não apresentam ferrugem em excesso e se não foram muito limadas, o que diminuirá sensívelmente a sua vida útil.
Colados nas chapas estão courinhos (vedantes) que devem estar rentes às placas e não retorcidos.
Tudo se pode restaurar com sucesso num bandoneon, exceto chapas maltratadas.

6 - Correto funcionamento da válvula de ar

bastante simples de verificar, é necessário que a alavanca que libera o ar funcione corretamente, do contrário não há como verificar a pressão do fole, a sonoridade ou a afinação.

7 - Correto funcionamento da mecânica dos botões.

Pressionada a tecla, a mesma deve baixar com naturalidade e solta deve retornar prontamente. Para tanto as molas devem estar em bom estado e não enferrujadas.
Também o couro das sapatilhas não deve estar ressecado para bem vedar pois vazando ar entre a junção da mesa e da sapatilha o rendimento do instrumento ficará comprometido.

8 - Afinação e sonoridade

O bandoneón padrão (Reinische) que se usa no Brasil é oitavado, ou seja, quando produz uma nota soam duas palhetas que devem estar afinadas precisamente à mesma "altura" em Hz (440, 442,..) porém com um intervalo de uma oitava entre elas.
Não existe afinação com "brilho" em bandoneón. Ou está precisamente oitavado ou está desafinado.
Somente com um instrumento afinado é possível avaliar com segurança a sua sonoridade e esta é subjetiva, depende do gosto de cada um.
A afinação é um grande problema para um bandoneonista porque, salvo raras exceções, o Brasil não possui luthiers especializados e competentes para afinar bandoneóns. Infelizmente.
Comprar um instrumento já afinado é uma garantia de não ter dor de cabeça procurando um afinador. Este serviço costuma ser caro e demorado.

9 - Critérios subjetivos

Além da sonoridade, que é totalmente subjetiva, há outros elementos que tem uma importância talvez secundária como a originalidade e a estética.

Distinguir entre original e restaurado/reformado pressupõe um conhecimento um pouco mais avançado sobre o instrumento.

As principais diferenças são a pintura, os botões e o fole.
Os bandoneóns alemães que chegaram ao Brasil não tinham revestimento em celulóide (salvo raríssimas excessões). Eram lustrados a goma-laca na sua maioria, ainda que não raro sejam pintados com uma tinta algo fosca.
É pela (obsoleta) numeração dos botões que se pode ver mais facilmente se um bandoneón foi ou não pintado.
Se foi pintado a nova pintura deve esconder os números ou facilitar o contraste entre a nova pintura e a velha que no momento da pintura foi coberta para "salvar" o número.
Além disso, é normal que um bandoneon com mais de 70 ou 80 anos apresente desgastes e marcas do tempo.... se não houver qualquer marca é porque foi restaurado.

Os botões originais de galatita ficam amarelados com o tempo. se os botões estiverem muito branquinhos podem não ser originais. Se forem de plástico não são originais (exceção aos Danielson)
Há botões originais em madeira também e algumas outras variações menos comuns.

Saber se o fole é orginal pressupóe o conhecimento dos padrões de papel de cada fabricante.


A beleza estética vai obedecer ao gosto particular de cada um.


10 - Preço

É natural que bandoneons originais e de melhor rendimento tenham valor superior aos de qualidade inferior e restaurados. De todos modos convém pesquisar exaustivamente antes de adquirir um instrumento.
É muito comum ver instrumentos no Mercado Livre ou em lojas com preços abusivos e de qualidade duvidosa.
Na dúvida, peça a opinião de alguém que toque e que entenda do instrumento.

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